O Tempo Certo de Ser: evento promove reflexão sobre envelhecer com saúde  – Geap Saúde

O Tempo Certo de Ser: evento promove reflexão sobre envelhecer com saúde 

A Comissão Interna de Prevenção a Acidentes (Cipa) da Geap Saúde promoveu uma roda de conversa com especialistas e uma apresentação de stand-up com a atriz Ângela Dippe, na última quinta-feira,13/11. O encontro abordou temas como menopausa, envelhecimento saudável, diversidade geracional, longevidade, redes de apoio, cuidados com a saúde e prevenção do câncer. A iniciativa teve como objetivo conscientizar, prevenir e educar, incentivando um olhar mais atento para si mesmo e para os colegas no ambiente de trabalho, fortalecendo a empatia e a cultura de cuidado mútuo. 

A apresentação descontraída de Ângela Dippe divertiu os participantes com o stand-up “O Tempo Certo de Ser”, onde a atriz compartilhou experiências pessoais e fez analogias entre padrões sociais e diversidade, abordando também polêmicas geracionais.  

Entre risadas e reflexões, ela trouxe dados importantes: o Brasil é um dos países mais ansiosos do mundo e a expectativa de vida dos brasileiros aumentou 30 anos; em 2050, 30% da população será idosa, sendo 60% dela feminina. Essa mudança reforça a importância de olhar com mais cuidado para o envelhecimento feminino, com acompanhamento integral de saúde, incluindo o cuidado com a saúde mental. A atriz falou da importância das redes de apoio para que as mulheres atravessem fases como a menopausa com mais pertencimento e qualidade de vida. 

“A morte é inevitável e está tão certa dos seus propósitos que nos dá uma vida inteira de vantagens. Vamos saber saborear as delícias e saber enfrentar os desafios de cada fase. Não há injeção de colágeno, não há reposição hormonal melhor do que as boas companhias de familiares queridos, de amigos, de amores e de animais”, encerrou a atriz, recebendo aplausos carinhosos da plateia. 

Geap: cuidado em todas as fases 

A Geap tem uma característica bem particular no mercado, pois sua base de beneficiários é majoritariamente composta por pessoas idosas, o que influencia diretamente na forma como a Operadora estrutura seus serviços e políticas. Atualmente, 1.011 beneficiários têm mais de 99 anos e mais de 165 mil clientes com mais de 59 anos, o que totaliza 43% da carteira. 

Além disso, 289 colaboradores da Geap têm 50 anos ou mais, sendo 82 na Diretoria Executiva. Contar com colaboradores idosos reforça ainda mais a necessidade de práticas inclusivas e cuidadosas.  

A Geap investe em programas de prevenção e promoção da saúde voltados para doenças crônicas, mobilidade, bem-estar mental e qualidade de vida, atendimento humanizado e canais acessíveis, considerando limitações físicas ou tecnológicas, além da criação de políticas internas de valorização da diversidade etária, garantindo que colaboradores mais velhos tenham suporte e oportunidades. Um exemplo é a estabilidade pré-aposentadoria de 2 anos para os colaboradores com mais de 10 anos de casa.  

Desafios da longevidade 

Com os avanços significativos na medicina, doenças que antes eram as principais causas de mortalidade, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e enfisema pulmonar, passaram a ser mais bem controladas, permitindo que as pessoas vivam por mais tempo. Esse aumento na expectativa de vida, por consequência, eleva a incidência de câncer, já que a idade é um dos fatores de risco mais relevantes para o desenvolvimento da doença. Em outras palavras, quanto mais tempo se vive, maior a probabilidade de ocorrerem alterações celulares que podem levar ao câncer.  

“A percepção de que ‘há mais casos de câncer hoje’ não está diretamente relacionada apenas à alimentação ou hábitos modernos, mas principalmente ao sucesso das demais áreas da medicina, que reduziram a mortalidade precoce. Se antes muitas pessoas faleciam por volta dos 50 anos devido a doenças cardiovasculares ou respiratórias, hoje elas sobrevivem e chegam a idades mais avançadas, onde o risco de câncer é naturalmente maior”, afirmou o oncologista clínico Paulo Lages. 

Para enriquecer a discussão, a roda de conversa ainda contou com especialistas renomados, como Rafaela Tork Pontes, médica de família e comunidade, especialista em saúde do idoso e estratégias para envelhecimento saudável; e Samara Xavier, psicóloga clínica e organizacional, especialista em avaliação psicológica e abordagem sistêmica.  

Câncer de próstata 

Paulo Lages, aproveitando a temática do mês Novembro Azul, trouxe um dado que é impressionante: a quantidade de homens que vão ter o câncer de próstata, homens idosos, é de cerca de 80%. Daí a importância do acompanhamento continuado da saúde masculina em todas as fases da vida, não só na maturidade. 

“As pessoas comentam que o homem é preconceituoso, não quer fazer o exame de toque retal. Ok, mas você ensinou para ele, dos 15 aos 50 anos, que não precisava ir ao médico. Aí, com 50 anos, fala que tem que fazer toque retal? Culturalmente, ele se nega. Isso tem que mudar!”, explica o médico.  

O especialista pontuou fatores de risco para o câncer de próstata: parentes com câncer precoce e afrodescendentes, que devem começar a investigação 5 anos antes, pois os riscos de câncer de próstata maiores e mais agressivos também são maiores. 

Lages ainda falou sobre o exame quantitativo do PSA (antígeno prostático específico), uma proteína produzida pela próstata e liberada no sangue. O valor é proporcional ao tamanho da glândula e apenas o acompanhamento médico é capaz de determinar se o valor está dentro da normalidade ou não. 

“É importante saber que a maioria dos homens que procura o urologista por medo de câncer, na verdade, tem hiperplasia benigna da próstata, que cresce na região central e causa sintomas urinários, como jato fraco e necessidade de urinar à noite. Já o câncer costuma surgir na parte periférica da próstata e, por isso, não provoca sintomas urinários no início. Isso significa que não se deve esperar sinais clínicos para investigar: o rastreamento regular é fundamental para detectar alterações precoces”, ressaltou. 

Menopausa 

Os desafios da menopausa também foram abordados por Ângela e pelos especialistas. O climatério, fase de mudança hormonal que pode durar até 10 anos antes da menopausa, traz sintomas variados que podem ser desafiadores para as mulheres, como alterações de humor e de sono, ondas de calor, fadiga e perda muscular. 

A médica de família Rafaela Tork Pontes, reforça que tratamentos seguros existem, mas sempre precisam de acompanhamento médico: 

“Antes havia um alarde de que as terapias hormonais causavam alguns tipos de câncer e outros impactos. Por isso, a ANVISA americana colocou a tarja preta, e ficamos mais de 20 anos sem acesso adequado, com queda na prescrição. Agora, uma revisão recente indica que as medicações são seguras. Mas é importante fazer avaliação e ter prescrição adequada pelo médico que acompanha, seja médico de família ou ginecologista, e que tudo seja monitorado”, afirma.  

O encontro, além de extremamente esclarecedor, trouxe uma mensagem poderosa: cada fase da vida tem sua força e seus cuidados, e o melhor momento para viver bem é agora. 


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