Foi precisamente no mês de outubro do ano passado que a beneficiária Thaila Michelle do Carmo recebeu o diagnóstico do câncer de mama. Hoje, aos 37 anos, ela integra o universo cor-de-rosa da Geap, na campanha nacional de Outubro Rosa, contando uma história de fé e compartilhando um olhar de força com todas as mulheres, especialmente. A entrevista de Thaila à equipe de comunicação da Operadora enaltece a importância da atenção com a saúde feminina. Saiba mais:
“Sempre fui uma pessoa de muita fé e, coincidência ou não, o meu diagnóstico saiu em 14 de outubro. No dia 12, que é o dia de Nossa Senhora Aparecida, ganhei uma imagem que não tinha na minha casa”, Thaila inicia a entrevista falando sobre o momento da notícia. “Minha irmã me deu essa imagem. Lembro da gente fazer uma oração e ela pedir para que a minha biópsia não desse nada. E eu rezei falando assim: ‘quero força para passar por tudo que eu tiver de passar. Se eu tiver que ter uma doença, que Deus me conceda força’. Então estava me sentindo muito fortalecida, porque não estava me sentindo sozinha. Realmente internalizei que ela veio para mim antes e que estava ali me preparando mesmo, me mostrando que eu não ia passar por aquilo sozinha”, continuou a beneficiária.
“Em todo o tratamento, tive vários sinais e me senti muito acolhida. Para mim, foi muito importante ter essa fé para passar por tudo”, agora, um ano depois, Thaila Michelle reafirma a crença, demonstrando alegria genuína na participação da campanha de conscientização feita pela Autogestão. “Descobri o meu câncer durante o Outubro Rosa de 2020. Esse é o primeiro que participo pós-descoberta e pós-tratamento, então sinto que é muito importante esse tipo de campanha. Feliz por estar participando, porque realmente tem muita gente que não se atenta. Sempre tentei entender qual era o propósito de ter passado por tudo isso e acho que é um propósito alertar outras pessoas. Estar aqui, hoje, bem, saudável, feliz e mostrar que é possível”, considera.
Sobre o acolhimento recebido, ela continua o relato, citando a Geap e a família. “Comecei a quimioterapia um dia depois do diagnóstico, então não tive problema com liberação. Foi tudo muito rápido e à medida que o tratamento avança, que você começa a conhecer outras histórias, você vê a importância de ser rápido. Faz diferença no resultado final. Eu tive acesso aos médicos, a exames, a medicamento, então sou muito grata. Foi muito importante ter esse plano”, Thaila diz, a respeito da assistência oferecida. “No dia que recebi o diagnóstico, meu marido estava comigo, foi meu primeiro apoio. De lá, fui para a casa da minha mãe. Acho que foi o momento mais difícil. Senti que tinha que ser forte por mim, por ela e pela minha filha. Em todo o tratamento, tive muito apoio. Tenho duas irmãs e realmente me senti muito abraçada por elas. Nunca fui em nenhuma quimioterapia sozinha. Em todas as minhas consultas e exames, fui acompanhada”, ela conta sobre a relação com os familiares. Além disso, Thaila se deparou com uma rede de apoio surpreendente, formada pelas amigas dos tempos de adolescência, os colegas de trabalho e as pessoas nos seus perfis das mídias sociais.
A descoberta
Thaila Michelle do Carmo faz um relato sobre a descoberta do câncer de mama e o tratamento: “sempre tive uma mama muito densa, nodular, então faço acompanhamento desde 20 e poucos anos. Já tinha feito duas cirurgias para tirar nódulos, todos fibroadenomas benignos. Sempre me preocupei muito com isso. Em 2017, tive a minha filha, amamentei e senti um nódulo próximo à auréola. Inclusive a minha filha parou de amamentar a mama direita. Procurei o médico e fiz exames para acompanhamento. Em 2020, com a pandemia, atrasei um pouco os exames, geralmente fazia em junho. Só que comecei a sentir que o aspecto foi alterando. O nódulo começou a ficar dolorido, a auréola ficou escura e invertida. Aquilo não era normal, era diferente de todos os nódulos que já tinha tido. O médico pediu mamografia e ecografia e esses exames não apresentaram nada. Foi aí que fiz a biópsia. No dia que saiu o resultado, ele pediu para eu procurar um oncologista, realmente era câncer. E foi tudo muito rápido. Descobri numa quinta-feira e na sexta-feira já estava fazendo quimioterapia. Fiz 16 sessões e a cirurgia, uma mastectomia total e esvaziamento axilar. E fiz a radioterapia, 15 sessões. Agora, estou na hormonioterapia. Tomo medicação em casa e uma injeção na clínica. Não sei por quanto tempo, o médico deu uma previsão de 10 anos”.
A perda do cabelo
“Eu tinha cabelão. Na primeira consulta, o médico já falou que o meu tipo de quimioterapia era do que o cabelo ia cair. Após a segunda quimioterapia, começou. Cai muito rápido, não imaginava que era daquela forma, e ficava muito dolorida a cabeça. Decidi raspar”, Thaila Michelle descreve a fase da perda dos cabelos, com o tratamento do câncer de mama.
E continua: “foi meu marido que raspou. A gente estava na casa da minha mãe. Para mim, foi uma das piores fases, mas não podia ficar triste por aquilo, tentei levar ao máximo no lúdico, até para a minha filha não se assustar, não perceber aquela tristeza. Ela tem quatro anos e foi a minha alegria. Quando eu pensava em ficar triste, ela me animava. Usei peruca e a minha filha usava comigo, pediu para comprar para ela, então foi essencial. Eu não me abati, fiz tudo para me sentir melhor, não deixei que isso me paralisasse. Quem não me conhecia, não falava que eu estava passando pelo tratamento. Foi uma fase que passei bem, depois do susto”.
Mensagem para as mulheres
“Tenham fé, tenham paciência. É uma fase, um processo que a gente passa. É muito doloroso, realmente não é fácil, mas tem um fim e tem um fim bom. Hoje em dia, já está tudo avançado, a gente realmente tem acesso a tratamentos que são muito bons. E não se desesperem, porque o que vem depois é muito bom. Elas vão se descobrir novas mulheres. A gente nunca mais volta a ser o que era e realmente acredito que a gente vem melhor. São novas mulheres e mulheres melhores que vêm pós-câncer. Então sigam firmes e não tenham medo”, encerrou Thaila.