
Um momento de escuta, conexão e fortalecimento coletivo. Essa foi a definição da diretora de Administração da Geap, Ana Santiago, para o evento “O cuidado da mulher poderosa” em celebração ao Mês da Mulher, que ocorreu na manhã do dia 30, em Brasília. “Comemorar a data representa reconhecer uma trajetória histórica de conquistas, de enfrentamento de desigualdades e da construção contínua de espaço de dignidade, respeito e protagonismo”, afirmou ela.
Ao salientar que o evento era das mulheres, o diretor-presidente da Geap, Douglas Figueredo, fez questão de passar a palavra para elas: “Convidamos três Anas para que passassem a manhã com vocês, num bate-papo, relatando suas experiências nas áreas de saúde, política e informação. Essa é uma data de reflexão que precisa ser transformada em ação, que é o que falta no Brasil e no mundo. Espero que esse bate-papo nos torne mais contundentes e exigentes em ações que promovam mudanças”, afirmou ele.
Douglas citou a busca constante por igualdade e que levou a Operadora a ser a primeira a conquistar a paridade entre homens e mulheres em cargos de gestão e que ampliou licença-maternidade para um ano. “Não é questão de prestar contas e sim de reconhecer que temos pouco a comemorar, mas que a busca por garantir às mulheres a igualdade no ambiente de trabalho deve ser mesmo uma meta cotidiana”, ressaltou.
A diretora Administrativa acredita que as palestrantes apresentaram diferentes perspectivas da potência feminina em busca por uma vida com sentido, por ocupações de espaço de decisão e pela força de se reinventar mesmo diante dos maiores desafios.
A secretária de Governança dos Conselhos da Geap, Rejane Pitanga, presenteou a plateia cantando canções brasileiras, de Dominguinhos, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque. “Vou fazer o que eu mais gosto, que é cantar. Escolhi essas canções que falam muito da realidade das mulheres”, disse ela.
Durante o evento, mais de 600 mulheres colaboradoras e beneficiárias da Geap se emocionaram ao ouvir palestra da hoje primeira vereadora mais bem votada na história do país, Ana Carolina Oliveira. A também empresária e ativista ficou conhecida nacionalmente após a morte da filha, Isabella Nardoni, em um dos casos de maior repercussão do país.
Desde então, passou a atuar na conscientização sobre a violência contra crianças e na defesa de justiça e proteção às vítimas, transformando a dor em uma voz ativa no debate público.
Em sua palestra, Ana Carolina traçou uma linha do tempo desde a tragédia, ocorrida há 18 anos, até os dias atuais, e destacou o processo de reconstrução de sua identidade. Segundo ela, contou com pilares fundamentais que a conectaram de volta à sua essência.
“Primeiramente atribuo a Deus, Ele nunca me abandonou, por mais que eu já tenha questionado o porquê de tudo que aconteceu. Em segundo lugar, o pilar de buscar ajuda e terapia, sozinha eu não ia conseguir. A minha família foi a base da minha resiliência. E por fim a minha reconstrução de identidade, pois não é sobre o que te aconteceu, mas sobre o que você faz com o que te aconteceu”, pontuou.
Ana destaca que sua vida teve reviravoltas e que 15 anos depois da perda da filha, a história foi registrada como documentário na Netflix. E a partir dali, as pessoas tiveram a oportunidade de conhecer quem era a pessoa por trás daquela mãe. “Quem eu era? Aonde eu fui parar? Existia eu, alguém que pensava, que lutava, e que queria falar. Trabalhei 16 anos no mercado financeiro, morei fora, sou casada, sou mãe de mais dois filhos. Eu reconstruí a minha vida e ocupei os espaços que a mulher precisa estar”.
Envelhecimento, cuidados paliativos e finitude
Com a palavra, a médica e escritora do livro que já vendeu mais de um milhão de cópias “A morte é um dia que vale a pena viver”, Ana Cláudia Quintana abordou, com sensibilidade, temas conhecidos do universo feminino, como o ato de cuidar e as constantes tomadas de decisões que envolvem o sacrifício pelo outro, a culpa por assumir suas necessidades e a importância de ter e dar autonomia. A palestrante chamou atenção para um ponto central, que é o do protagonismo na própria vida. “Eu sei que alguém envelheceu bem quando ele foi capaz de se escolher primeiro.”
Ela completa dizendo que falta consciência da finitude. “A gente tem que se humanizar e se responsabilizar pela própria proteção, porque pode demorar muito tempo até que alguém nos proteja.”
A mulher nos espaços de poder
Com mais de quatro décadas de atuação na comunicação, a jornalista Ana Dubeux, hoje chefe de redação do jornal Correio Braziliense, refletiu sobre o papel do questionamento na transformação social e chamou atenção para o silêncio em torno de temas estruturais. “Aprendi que as respostas mais importantes estão nas perguntas que ninguém faz. E a gente precisa começar a fazer essas perguntas, inclusive sobre por que ainda nos dizem, de forma direta ou indireta, que não merecemos ocupar determinados espaços”, pontuou.
A jornalista também ressaltou um aspecto simbólico das legislações brasileiras de proteção às mulheres, evidenciando que muitas nasceram a partir de histórias de violência. “No Brasil, as leis mais importantes de proteção à mulher têm nome de mulher, e isso diz muito. Para uma lei existir, uma mulher precisou ter sua vida atravessada por uma violência extrema”, explicou. “Essas leis não nasceram do nada, nasceram da resistência. Cada direito que temos hoje custou muito caro para alguma mulher. E é isso que precisa nos mover: transformar essas histórias em proteção e em futuro para todas nós”, concluiu.

































